Cibele Figueira Carvalho

Doutora em Ciências pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo no Instituto de Radiologia (INRAD-HC) e Mestre em Clínica Veterinária pela Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade de São Paulo. Tem sido professora de Diagnóstico por Imagem em diversas instituições de ensino a nível de graduação e pós graduação em Medicina Veterinária desde 1997 até os dias atuais. Participou do grupo de pesquisa em ultrassonografia do INRAD-HC-FMUSP onde também desenvolveu seu projeto de pós doutorado. Tem experiência na área de Diagnóstico por Imagem de Animais, com dois livros publicados nos seguintes temas: ultrassonografia modo-B (duas edições) e ultrassonografia Doppler em pequenos animais. Atualmente trabalha na prática privada como CEO e Diretora Científica da empresa NAUS – Núcleo de Aperfeiçoamento em Ultrassonografia Veterinária.

RESUMO DAS PALESTRAS

PALESTRA 1 – Quando solicitar e interpretar os achados da US Doppler hepática?

A ultrassonografia Doppler é capaz fornecer informações adicionais sobre a hemodinâmica do tecido examinado. As principais indicações clínicas dessa ferramenta incluem as situações específicas onde essa informação seja fundamental para o diagnóstico (p.ex. malformações vasculares congênitas como fístulas arteriovenosas e desvios portossistêmicos), para o prognóstico (p.ex. avaliação da esteatose hepática ou do fígado cardíaco) ou ainda no acompanhamento clínico da evolução de doenças hepáticas crônicas (como p.ex. a hipertensão portal decorrente de fígado cardíaco ou de neoplasias hepáticas e cirroses).

PALESTRA 2 – Quando a US Doppler renal pode ser útil?

Sabe-se que a ultrassonografia convencional é um método indicador precoce de lesão renal e que as alterações hemodinâmicas precedem as lesões parenquimatosas. Mesmo que se persistam as causas da lesão, os eficientes mecanismos de resposta hemodinâmica renal são capazes de restabelecerem o fluxo sanguíneo do órgão. No entanto, isso não impede que se estabeleça a lesão tecidual propriamente e haja perda de função do órgão. Portanto, o principal potencial de indicação da técnica Doppler está no diagnóstico de situações agudas de insuficiência, trauma ou obstrução, enquanto ainda não houve tempo hábil de resposta hemodinâmica compensatória. Além disso, o Doppler renal pode detectar sinais de estenose vascular em estágios iniciais decorrente de situações congênitas (que possam ocasionar hipertensão arterial sistêmica) ou adquiridas (como p.ex., nas vasculites decorrentes de hemoparasitoses ou nas endocrinopatias).

PALESTRA 3 – Tromboembolismo: a imagem e os sinais clínicos caminham juntos?

A Trombose acomete menos de 1% da população felina e não há dados estatísticos oficiais de ocorrência na população canina. A trombose arterial tem sinais clínicos de início agudo e progressivo, quase sempre confundida clinicamente com doença neuromuscular. O clássico sinal clínico de extremidades frias é na verdade um sinal tardio. A trombose venosa tem sinais clínicos variáveis (desde edema até ascite) e dependem da veia acometida. Imagem de trombo recente é anecogênica e o estudo Doppler é fundamental para o diagnóstico destas lesões. As endocrinopatias (como o hipertireoidismo felino e hiperadrenocorticismo canino), as cardiopatias (como arritmias, cardiomiopatia hipertrófica e endocardites) e a síndrome nefrótica são as principais causas clínicas dessa doença.